E o tempo fechou-se por trás do marujo. Os sinos tocavam em aleluias as vozes de todas as baleias mortas. As ondas, marés brasileiras, enxaguavam os corações nativos. E o Deus dos índios dalí, mandou flechas de risos, pro povo da tribo florir os carnavais de sombranzinhas. As meninas de vestidos de mármore acenavam os lenços com um branco dos panos de uma virgem. Os meninos que avistavam tudo ali corriam com pipas de fraldas. Os homens que adormeciam, sonhavam atordoados pesadelos de dar medo a bicho feroz. E as mulheres, feitas de rubros cachos de acerola, entoavam os uni sons dos apitos furtuosos.
- 16/set/2011, JC -
Questionaram-me quando pronunciei a palavra “parteleira”. Perguntaram-me do que se tratava. Respondi ser um lugar onde guardo livros, discos, poemas de guardanapo e mais um monte de utensílios que vão ficando inúteis, tudo na sua parte. Corrigiram-me: É prateleira. – Mas prateleiras não são estruturas para guardar pratos e seus afins? – Retruquei. Insistiram: Está palavra não existe. Por minha vez, teimei: Agora existe!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A Mulher, o Amor e o Poeta
A mulher que ama o Poeta
Não o ama profundamente.
Teme que o ame, somente,
E desame a poesia que resta.
Morosamente, o estro do poeta
O trucida profundamente,
Seus versos são refúgios, somente,
E o bardo se transforma em resta.
Então, o mártir leva as mãos à cabeça,
Suplica a inspiração que esqueça
E padeça com ele ao partir.
A mulher que ama o poeta
É a mesma que o vate ama.
Mas dormita sozinho na cama
E um poeta profundamente somente resta.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Semáforo (Fores sem mas)
- JC, 15/set/2011 -
Apesar de
Vodka com Chicos,
Dormir com chinelos,
Banho com óculos
E franja em meus cabelos para não ver os sinais onde o laranja, com a russa bebida, me instigam para acelerar antes do vermelho,
É bom saber do tudo que está em volto do nada. Me dá a certeza de que esta é a última vez em que vou olhar pelo retrô-visor.
Siga o cerne.
Cerne, me siga.
domingo, 28 de agosto de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Não é!
Vadios são os que removem com licores a aquarela de seu rosto.
Eterna donzela samaritana, mal-dita por nela também viverem os ratos, faz-se ser a mesma noutro dia, e noutro, e mesma, e outra mesma, noutra, para nos deixar enfadonhos e pirar os insones.
É continuamente o mesmo frio; a veemência do gole é o mesmo; o trago é tão ruim quanto os demais; e de volta já bem tarde, quase bem cedo, o caminho é tão caminho, que nenhuma diferença faz mudar o curso.
A Noite nada tem com os vadios,
mas está fadada a ser calçada destes desgraçados,
mas está fadada a ser calçada destes desgraçados,
até que cheguem as manhãs e ponha pra casa os que as têm.
Eu estou enfadado.
Eu estou enfadado.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Um olho cheio de pernas para compensar os passos trôpegos. O outro, de pontos costurados por tudo que viu. Ambos vêm carregando um corpo mediano pelas ruas desníveis com o cuidado de quem leva um andor. Cabeça, tronco e membros, consagrados pelo cânone das eras, vem rápido, mordendo o canto dos lábios e percutindo um som tirado dos atritos dos dedos das mãos, uns nos outros, contemplativo, até chegar ao seu desígnio.
- Pai!
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